Pensar, dádiva dos homens, mas não deles mesmos.
Pensar, dádiva de deuses imortais aos seus mortais.
Pensar, dádiva do Deus impensável aos seus que foram pensados.
Preciso declamar sobre essa tão nobre habilidade,
mas não por ser algo simples de dizer, o pensamento que descrevo.
Sobre o pensar me vejo perante o intocável e por vezes inefável,
o pensamento.
Compreendo que o pensar não pôde, não pode, e não poderá
se abstrair de mim, de nós, dos seres mortais; porém na abstração
do meu sentir, posso assim refletir sobre o pensamento, e isto, bem,
isto me eleva mais uma vez.
Por muito, quanto mais penso, mais percebo que não é na elevação
ou altivez do mesmo, que eu me descubro. Pelo contrário, quanto mais
me rebaixo à noção de não compreensão, mais me enxergo e me descubro.
O escopo dessas singelas palavras me recorda a memória, e me mostra
que tudo isso, eu, pensamento e o que isso envolve, remete-me a Vós.
Sim, Vós o impensável que se deixa ser pensado na pequenês de sua obra,
sendo esta, eu, fruto de Vosso pensar.
“O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, em suma uma síntese." (Soren Kierkegaard)
Bem-Vindo - Welcome - Bienvenido - Bienvenue - Benvenuti - Willkommen
Pretendo caro leitor compartilhar aqui alguns passatempos e reflexões que se apoderam nessa peregrinação de nossa temporalidade. Seja sobre Deus; seja sobre o homem; seja sobre a poesia e as artes; ou mesmo sobre meras bobagens. Desejando que não sejam meras palavras (flatus vocis), mas que tais palavras de certa forma adentrem além da superfície dos seus olhos e quem sabe chegar a sua alma.
A vós poetas e artistas, pensadores e leigos, sintam-se a vontade esse espaço é vosso também.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Da Razão - Passatempos Metafísicos
Vós que clamais por Razão, donde a vistes para conhecê-las e alertar sua existência?
Quem a fez nascer?
Quem a intitulou e tornou-a tão necessária para o ego humano?
Onde está tua face para que possa vê-la oh Razão?
E o teu cheiro para que possa senti-lá?
Ou mesmo onde está o teu corpo para que possa tocá-la?
Talvez se te mostrares de alguma forma poderias crer em tua existência, mas e como seria eu tolo de duvidar de vossa existência oh Razão, se és tu que me fazes chegar a essa conclusão!
Se não fores isso uma demonstração de tua existência como poderia então demonstrar-te?
Por: Danilo Reis
Quem a fez nascer?
Quem a intitulou e tornou-a tão necessária para o ego humano?
Onde está tua face para que possa vê-la oh Razão?
E o teu cheiro para que possa senti-lá?
Ou mesmo onde está o teu corpo para que possa tocá-la?
Talvez se te mostrares de alguma forma poderias crer em tua existência, mas e como seria eu tolo de duvidar de vossa existência oh Razão, se és tu que me fazes chegar a essa conclusão!
Se não fores isso uma demonstração de tua existência como poderia então demonstrar-te?
Por: Danilo Reis
quarta-feira, 8 de junho de 2011
É possível conceber Deus?
Caro leitor, esse texto fora extraído dum diálogo entre eu e um debatedor acerca da possibilidade de concebermos o Absoluto em nossa subjetividade. Não propus A Verdade, mas sim aquilo que até então satisfaz meus questionamentos sobre o assunto.
(Resposta)
(Debatedor)
“Sua mente não consegue conceber Deus nem A Criação. Humanos não conseguem entender acontecimentos sem antecedentes cronológicos, como, por exemplo, Deus e o universo. Se Deus existe, Danilo, ele é muito mais complicado do que você pode imaginar, e seu organismo não tem a capacidade para compreendê-lo”
Seria um equívoco da minha parte dizer que entendo Deus, ou que estudo Deus, como diria alguns estudiosos, Deus é mistério, Deus é Inefável, Deus é transcendente. Sem dúvida sendo Deus objetivo, como eu subjetivamente poderia conceber Deus?... O interessante é que ele não está preso ao objetivo (diferentemente de nós que estamos presos ao subjetivo), pois, o mesmo intencionalmente interfere e se revela de forma subjetiva, porque assim Ele pode fazê-lo.
A minha capacidade de relacionar fé (fides – crer) associada ao objetivo, pois, defendo que só por meio dela nós, limitados podemos imaginar o transcendente e experimentá-lo, e claro a minha razão que está associada ao meu físico empírico e subjetivo, dessa forma concebo Deus por meio da razão que a priori entende que não entende Deus em sua essência (O Absoluto), contudo concebe que tal Ser está aí, e que Ele próprio deseja se comunicar, sendo impossível para nós termos ideia de Deus, se o mesmo não revelasse que Ele é.
Sobre a questão cronológica, o tempo está relacionado à nossa subjetividade: tempo de nascer, crescer, morrer; estações; eras etc. Com certeza é difícil para a gente entender o que é ser Eterno, por exemplo, sem começo e sem fim, diferente de infinito, que começa e não acaba. Contudo dizer que não conseguimos pensar sobre o Kairós (tempo eterno), é improvável, já que nós estamos falando sobre ele, você pode não experimentá-lo aqui, e não compreender o que é viver atemporalmente, mas entende-se que há um tempo diferente do nosso (Chronos), e, portanto, discutimos e supomos sobre tal tempo.
sábado, 4 de junho de 2011
"Consegui desarmar-me" - Patriarca Atenágoras
Consegui desarmar-me.
Participei nesta guerra, durante anos e anos.
Foi terrível. Mas agora estou desarmado.
Já não tenho medo de nada, porque “o amor afugenta o medo”.
Estou desarmado da vontade de prevalecer,
De me justificar à custa dos outros.
Já não estou alerta,
Zelosamente apegado às minhas riquezas.
Acolho e partilho.
Não me importam especialmente as minhas ideias, os meus projectos.
Se me propõem outros melhores, aceito-os de bom grado.
Quer dizer, não os melhores, mas os bons.
Bem sabem, renunciei ao comparativo…
O que é bom, verdadeiro, real, esteja onde estiver,
É o melhor para mim.
Por isso já não tenho medo.
Quando nada se possui, já não se sente medo.
“Quem nos separará do amor de Cristo?”
Mas, se nos desarmarmos, se nos despojarmos,
Se nos abrirmos ao Deus homem que renova todas as coisas,
Então é Ele que apaga o passado mau
E nos devolve um tempo novo,
Onde tudo é possível.
Patriarca Atenágoras - Foi Patriarca Ortodoxo de 1948-1972 e revogou a excomunhão da Cristandade Ocidental (Cisma) que havia desde 1054 d.C.
Participei nesta guerra, durante anos e anos.
Foi terrível. Mas agora estou desarmado.
Já não tenho medo de nada, porque “o amor afugenta o medo”.
Estou desarmado da vontade de prevalecer,
De me justificar à custa dos outros.
Já não estou alerta,
Zelosamente apegado às minhas riquezas.
Acolho e partilho.
Não me importam especialmente as minhas ideias, os meus projectos.
Se me propõem outros melhores, aceito-os de bom grado.
Quer dizer, não os melhores, mas os bons.
Bem sabem, renunciei ao comparativo…
O que é bom, verdadeiro, real, esteja onde estiver,
É o melhor para mim.
Por isso já não tenho medo.
Quando nada se possui, já não se sente medo.
“Quem nos separará do amor de Cristo?”
Mas, se nos desarmarmos, se nos despojarmos,
Se nos abrirmos ao Deus homem que renova todas as coisas,
Então é Ele que apaga o passado mau
E nos devolve um tempo novo,
Onde tudo é possível.
Patriarca Atenágoras - Foi Patriarca Ortodoxo de 1948-1972 e revogou a excomunhão da Cristandade Ocidental (Cisma) que havia desde 1054 d.C.
domingo, 29 de maio de 2011
"Sintaxe à Vontade" - Teatro Mágico
"Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
Bem vindo ao teatro mágico!
sintaxe a vontade..."
Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração
sua pressa e sua prece
que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não
façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
sejamos também o anúncio da contra-capa
mas ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
é muitas vezes, encontrar-se com Deus
com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...
tem horas que a gente se pergunta...
por que é que não se junta
tudo numa coisa só?"
Respeitável público pagão
Bem vindo ao teatro mágico!
sintaxe a vontade..."
Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração
sua pressa e sua prece
que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não
façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
sejamos também o anúncio da contra-capa
mas ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
é muitas vezes, encontrar-se com Deus
com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...
tem horas que a gente se pergunta...
por que é que não se junta
tudo numa coisa só?"
domingo, 15 de maio de 2011
A Liberdade de Expressão está ameaçada?
Estou pense muitos brasileiros durante a Ditadura Militar e que agora, diante de algumas novas situações me levam a temer a perca desse direito dentro de alguns anos. Estou sendo exagerado? Penso que não, vejamos alguns problemas que são notórios.ando pensando seriamente sobre a questão da liberdade de expressão que foi tanto defendida e labutada ao sangue de muitos.
Vivemos em uma "democracia", e segundo o princípio etimológico e a própria concepção grega que dera origem a esse modelo político de poder, onde o "povo" (demos) e "cracia" (kratos/poder/governo) é a potestade atuante no Estado, ou seja, o povo detém o poder de decidir sobre si mesmo, nesse caso em um espaço chamado de "res-pública" ou espaço público, em pró de um "bem" comum, ou da "felicidade" de toda Polis, através de princípios fundamentados na cidadania que é o próprio "ser" atuante na polis (cidade) guiados pela ética que visaria o bem comum já citado acima. Visto esse primeiro rodapé retorno ao nosso tempo, e percebo que os princípios da democracia grega ainda estão de pé, pelo menos teoricamente nele nos baseamos, e por isso temos eleições diretas ao qual podemos decidir quem serão os representantes do "povo" que decidirá sobre o "bem-comum" do Estado.
Até aí tudo bem, contudo quando falamos de Estado, vejo que quanto mais figuramos um avanço democrático, hoje eu me sinto ameaçado por esse modelo, não pelo que ele é ou representa, mas pelo que ele está se tornando, no sentido de se intrometer demasiadamente no meu espaço privado, e por que digo isso ? Digo isso, porque hoje tramitam leis que ferem a própria constituição brasileira quanto a Liberdade de Expressão e a invasão de espaços tão sacramente privado, isto é, o lar de cada um de nós. Com novas leis em trâmites como, por exemplo, o da "homofobia" que em sua própria etimologia se mostra errônea, porque se, por exemplo, uma pessoa discordar das práticas homossexuais, não significa um "pavor", "medo", "aversão" pela pessoa humana, ou seja, quando falamos de homofobia estamos falando de pessoas que não conceberiam a ideia, nem em hipótese de estar em um mesmo ambiente que uma pessoa homossexual. Daí o que vejo de leis como essa é justamente a perca do meu direito de dizer o que acho correto ou errado; o direito de dizer ao meu filho o que é certo ou errado etc. Então o Estado se intromete e fere a própria constituição que é a mantenedora da democracia, fora que eu nem citei a questão da Liberdade Religiosa.
Por favor caro leitor não entenda equivocadamente minhas palavras, eu não faço apologia a violência, ou discriminação; sou contra qualquer exclusão martirizadora das pessoas, isso é base da minha fé cristã. O que defendo é meu direito de falar sobre práticas, assim como defendo o direito de qualquer um em criticar a minha fé, minhas convicções, minha ética e moral cristã, a constituição permite isso. Porém, vejo que cometerão logo logo essa deturpação, isto é, silenciando a uns como já fizeram e ainda fazem como a "negros", "idosos", "índios", "pobres" e "homossexuais" e dando demasiada voz a outros. Não é isso que eu quero, mas sim um diálogo democrático e constitucional sem favorecer demais a uns e assim desfavorecendo a outros.
"somos todos iguais na mentira e na verdade..." diz a música, e nela vemos que apesar de iguais podemos agir de formas diferentes. Acho que já falei demais e sintam-se a vontade de criticar minhas palavras, pois aqui se faz um espaço democrático.
terça-feira, 10 de maio de 2011
Sobre os males do mundo - O egocentrismo
Deus criou o homem e tudo o que há perfeitamente, mas ao homem como coroa da sua criação fez sua imagem e semelhança, uma das características disso é Ser Livre e Ser Perfeito... Perdemos os dois quando envaidecidos achamos que éramos ou seríamos igual a ele por nós mesmos daí a queda, a auto-suficiência, como poderia criatura ser independente de seu criador?
Acho estranho quando dizem ser Deus o causador dos males existentes, e fico repugnado porque isso não é um discurso só de pseudo-ateus, mas muitos teístas dizem ser Deus o causador dos males devido os pecados. Devo concordar que o pecado traz esses males, mas a punição de Deus é a voz que soa contrária as injustiças, violência, abandono, jactância e auto-suficiência.
Devido o homem em sua soberba ter se afastado de Deus, esse Deus deixou-os para serem guiados pela sua própria soberba e sorte de maldades que acompanham. Para mim por sinal esse é o "inferno", sermos deixados por Deus devido nossa Soberba. Os males nos sobreveem porque nós não sabemos amar o outro, porque não nos importamos com os famintos e os menores dessa terra. Pelo contrário somos em geral "inclua a mim também" guiados pelos nossos umbigos e deixamos constantemente aquilo que Deus orienta em todo texto sagrado "Misphá" e a "Shalom" que é paz oriunda da comunidade que vive em harmonia um com os outros. Jesus embaraça os religiosos da sua época por propor o olhar para os menores como iguais e a cuidar daqueles que precisam de auxílio, coisa que havia se perdido. São essas também as denúncias dos profetas contra os reis opressores e assim é durante a história da cristandade, claro, quando essa não é contaminada pelo atrativo do PODER SOBRE o outro, e se esquecendo de que o PODER dever ser PARA com o outro.
"A soberba gera divisão. A caridade, a comunhão"
Santo Agostinho
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