A palavra sociedade é de comum entendimento.
Porém, ao pensarmos ela, precisamos compreender que falamos de instituições, precisamos
entender que falamos de constituição de normas, regras, valores, e mesmo de
convivência.
O homem do
século XXI vive uma conjuntura social plural, diversificada e fluída. Plural
porque é, além de globalizada, é composta por diferentes perspectivas de vida
social, que pode e contém semelhanças, mas não deixam de ter diferenças. É
diversificada porque existe mais de uma sociedade em diferentes disposições. É
fluída, como diria o pensador polonês, Zygmunt Bauman, porque lida com uma
inconsistente relação com os valores, normas, virtudes e possíveis “certezas”
que regiam ou regem ainda as pessoas. Portanto, pensar o homem social do século
XXI tem desafios, e isso começa pelo entendimento do próprio homem, visto que
vivemos em um tempo de grande avanço tecnológico em diversos campos, mas ao
mesmo tempo, vemos um atrito entre as novas forças plurais e as tradicionais
formas de pensar a sociedade.
Aristóteles,
um dos mais importantes filósofos da história, entendia que o homem social e
político é indissociável, ele chama o homem de zoonpolitikon, que quer dizer
“animal político”, ou seja, nós somos naturalmente voltados a vida em
sociedade, e viver em sociedade implica viver politicamente. Para ele, a vida
social é uma vida política e central para cada pessoal. Pensar vida social sem
política, ou mesmo, sem participação política para o Aristóteles seria
impensável!
Ao mesmo tempo
que pensamos sociedade e política como algo natural, as discussões sobre
sociedade e política seguem na Idade Média, porém, no Renascimento a partir de
Maquiavel e mais especialmente na Modernidade com os contratualistas,
compreende-se que o homem social e político se tornam chave para entender o
próprio mundo composto, como uma realidade artificial, criada pelo homem e que
mereceria atenção. Deixamos um Estado da Natureza, período que antecede o homem
civil, e por necessidades diferentes, conforme perspectiva de cada teórico,
surge o Contrato Social, que dá origem a sociedade civil e funda a política. A
partir desse momento, todos nós, deixamos de lado qualquer plena liberdade e atribuímos
ao Estado o papel de reger nossos direitos e deveres naturais ou positivos.
Desde então, o homem social e político volta ao cerne das discussões
filosóficas, pois deixamos de olhar para política e para a sociedade como
“acaso” ou “vontade divina” e vemos algo racional a constituir e debater.
Falando
especificamente de nosso tempo, podemos notar que urge uma necessidade de voltarmos
esse olhar cuidadoso para o homem político-social, verificar que atravessamos
um período de rupturas e reviravoltas em diversos âmbitos. Retorna o perigo do
autoritarismo, de forças que engendram agendas que não querem as novas
compreensões sociais. Que negam ou se opõe a agendas ambientais e que desfazem
de algumas virtuosas conquistas trazidas pelo progresso científico e humano. Estamos
lidando muitas vezes com a vivência de 3 ou 4 gerações bem distintas, em um
mesmo espaço encontramos pessoas remanescentes da geração Baby Boomer, seguidos
da geração X, dos millenials e claro, a geração Z. Esse contato é também um
dilema, pois gera um conflito de gerações, seja no âmbito social, político, tecnológico,
ético ou mesmo ambiental.
A
filosofia está atenta a esses acontecimentos, na verdade, ela é aquela que de
antemão se preocupa em falar desse homem político-social em suas relações
diversas. Com a filosofia, voltamos o nosso olhar além da superfície e podemos
compreender com mais profundidade, através de caminhos já trilhados pelos filósofos
ao longo da história, ou mesmo para as novas teses que surgem.
Por: Danilo Reis